sábado, 10 de outubro de 2009

Sem título


Sábado a tarde recheado de Pringles e Fudge Covered Graham Cookies, chiclets e suco de laranja ao som de Lobão Acústico.Tédio total! Tudo que planejei para o final de semana deu errado, espero fazer algo à noite, se não, surto!

...Putz tem umas músicas do Lobão que bate! (interna). Traduzindo, faz viajar e bate nostalgia... odeio e adoro isso!


"ÀS VEZES EU NÃO SEI SE É A NOITE OU SE É A VONTADE DE TE TER AGORA.

AGORA...

EU PENSO EM VOCÊ E SINTO A TEMPESTADE DESABAR POR DENTRO E POR FORA

EU PENSO EM VOCÊ E SINTO TODA A VONTADE DO MUNDO DE TE TER AGORA

AGORA" (Você e a noite escura - Lobão)


...Hoje estou super hiper EMOtional. Fiz questão de ficar na cama até quase meio dia. É, a semana da Au pair é dura, cansa demais, não só o corpo como a mente. A semana aqui passa mais rápido do que o normal, que medo disso! Aí, chega sábado, parece que a bateria acaba. Não dá vontade de sair do quarto e ver as mesmas pessoas. Isso que é foda de trabalhar e morar no mesmo lugar. Tem horas que é bom ficar só você e você... Até que o dia está bom pra dar uma volta, sentar na grama e ver os patos. Dá uma paz tremenda, fico pensando na vida - "Putz, eu realmente estou aqui!" Passa tanta coisa na cabeça, é muito difícil assimilar tudo que está acontecendo na minha vida....

...Enfim, já disse que toda semana as Au pairs se reunem, pra beber, falar mal/bem dos hosts, falar besteira...e essa semana comemoramos 1 mês de Ladies Night. Infelizmente, nem todas foram, mas foi muito bom. Ponche, pizza (apimentada! Puta que pariu, aqui não tem pizza de gente!), doce...Tudo isso no Basement da Eliene. Deu até pra colocar um som e jogar sinuca. Coldplay e depois Los Hermanos! Aiii bateu*! É engraçado ver como as pessoas que fizeram Letras tem um gosto parecido. Por que será??? Rsrs.


Alguém tira essas bolachas da minha frente??

Bom, vou curtir essa nostalgia aqui...


Saudações AuPairianas...




segunda-feira, 5 de outubro de 2009


1 mês!

É, realmente as lágrimas secaram.... Penso todos os dias, todos os minutos em tudo que deixei pra trás, mas a coisa aqui é tensaaa, a gente amadurece à base de tapa na cara diário. Hoje, minha cabeça não é mais a mesma de quando escrevi o último post. Não conto mais os dias, não calculo quanto tempo ainda falta pra ir embora pra casa... Apenas vivo cada dia, procurando aprender, crescer e conquistar o que tanto quero.

Ahh, muita gente me pergunta: "Como tá o ingles?" Devo dizer o Português claro: "Tá foda!" -"Foda? Como assim? Você estudou taaaantos anos aqui no Brasil!!!". Sim, estudei muito tempo, ouvindo sempre brasileiro falando inglês, que é uma coisa TOTALMENTE DIFERENTE. Isso é uma coisa que me deixa frustrada!!! É engraçado como brasileiro entende brasileiro falando inglês...fico até "me sentindo" fluente.rsrs. Mas calma, não se desesperem. Com o tempo, seu ouvido e seu cérebro se acostuma e tudo fica mais claro. Foi isso que aconteceu comigo. Na hora da fala, é normal travar. Sabe aquelas regras básicas de Verb to BE na frente do sujeito em frases interrogativas??? Tudo isso é apagado da sua mente...e depois a gente se pergunta: "Que burra, por que eu fiz isso?" Simplesmente, ligue o foda-se e tente autocorrigir. Bom, pelo menos estou percebendo meus erros banais...

... Muita muita coisa boa aconteceu nesses dias. Saí bastante, conheci muitos lugares aqui em Frederick, graças as Au Pairs daqui. Toda quinta-feira é dia de Ladies Night. Só a mulherada...Será que só sai merda??? Imagina.... Todas são super gente boa, fãs de LH e TM (Thanks God! rsrs). O problema é que mto brasileiro junto não presta, ainda mais quando o intuito é vir para os EUA e praticar INGLÊS. Mas não tem jeito, o dia é tão estressante, que quando a gente vê uma oportunidade para se expressar, aproveita mesmo! Além das amizades verde-amarelas que fiz por aqui, conheci americanos. Aee, até que enfim, pessoas pra praticar!!! Antes fosse, porque eles falam muito bem Português! O legal é que eles dão dicas e entendem nossas dificuldades...

... Estava pensando em como tive sorte em ficar nesse lugar. Sinto uma paz incrível aqui. Moro em frente a um parque (Baker Park) e é pra lá que eu vou após enfrentar um longo dia ouvindo choro, trocando fralda, fazendo sanduiche de Peanut Butter e me esbaldando nas aquarelas (Adoooro, de verdade!). Esses dias montei um cenário, aproveitando uma caixa de papelão enorme. Ficou lindo, postarei uma foto. (Au Pair boa, é Au Pair criativa, que passa o tempo mantendo as crianças ocupadas = menos trabalho)....

... Ai ai, Exatamente no dia 6 do mês passado, estava eu mergulhada em lágrimas, cabeça a mil por hora. Como passa rápido! Se estivesse no Brasil, não teria sequer uma novidade, agora, tenho mais que uma, pelo menos...rsrs. Aqui em Frederick sempre tem festivais ou algum evento com comidade livre e à vontade. (Fiquei pensando se isso acontecesse na minha terra... até que poderia acontecer, mas creio que não mais que uma vez...rsrs). Já viu alguém comer feijão com molho de tomate doce e hamburguer? Ou então, comer comida e tomar leite? Não duvide, porque isso realmente existe. Ai, americano é um bicho estranho. Pensei que aquela lenda de meia até a canela, camisa por dentro da calça/bermuda "santropeito" era apenas perseguição. Não, não é. Tá, parei de falar mal, mas ainda faltou uma coisa: Aqui não existe faxina. Sabe aquela coisa de pegar o balde, desinfetante, lustramóveis, vassoura e afins? Coisas que os brasileiros fazem sempre? (Minha mãe faz quase todo dia) Pois aqui, isso NO ECXISTE. Rola uma minifaxina, duaz vezes ao mês. Assustou? Para eles isso é o suficiente. Americano que se preze não perde tempo com trabalhos manuais. Para quê, se tem tanto mexicano pra fazer? Bom, melhor não entrar em datalhes porque isso me deixa puta. Ô lugar para explorar Mexicano e Indiano (Esqueça todas as imagens de Indianos da novela "Caminho das Índias". Não existe, de jeito nenhum, Indiano branco!)... Enfim, apesar dos pesares, quebrei aquela imagem de que eram metidos e frios. Aqui tem bom-dia, sorrisos pra lá e pra cá e tratam brasileiro muito bem, pelo comigo foi assim...

... Algo que com certeza levarei comigo é o modo como eles priorizam a educação. As crianças aqui (Alivea e Sylvia) e as demais que conheço, possuem prateleiras e mais prateleiras de livros, e elas mesmas pedem pra comprar, pedem pra ler. Os eventos infantis na biblioteca simplesmente lotam! Dá orgulho de ver e vontade de que isso, um dia, possa acontecer no Brasil. Que as novas gerações passem aos seus filhos o gosto por cultura...


...Para fechar o assunto "American way of life", devo dizer o que achei dos barzinhos - baladinhas. Há 3 tipos de ambientes, na maioria dos lugares: o balcão, com umas mil TVs passando futebol americano, pistas, e mesas de sinuca. Gostei mais do último! Fazia tempo que não jogava...continuo ruim! A pista é sem comentários, nem me arrisco a chegar perto. As meninas rebolam igual a Beyoncé e os caras, com aqueles bonés cobrindo o rosto, ficam balançando a cabeça (tipo 50 Cent - Yeah, yeah, a-ham...rsrs)... Legal? Tanto faz...Eu não curto, mas já que estou na chuva...

...Bom, ao contrário do que pensei, estou vivendo...e estou bem! Muitas descobertas, muitas emoções...Sim, fui ao show do U2 após vinte e poucos dias aqui. Foi simplesmente maravilhoso, muitos efeitos especiais e inúmeros choques na mente em relação à política, guerra, causas sociais e preconceito. Não contive o choro no momento em que o Bono chamou no palco, um fã muçulmano enrolado com a bandeira dos Estados Unidos cantando "Sunday Bloody Sunday. Sinal, que ainda há esperança e que a mudança só acontecerá quando aprendermos a respeitar as diferenças... Quem sabe um dia...


E mesmo aqui, mesmo feliz, "I still haven´t found what I´m looking for"...

Mas um dia, eu acho!
*Calça de capoeria e chinelo que me aguardem... (essa é só pra quem entende...)

O Porquê...




( Confissões dos dez primeiros dias...estou aqui há 30 dias, porém somente agora resolvi postar...)


Sempre tive uma louca vontade de sair pelo mundo e encontrar a paz que eu tanto almejo. Não que eu não tenha paz, mas sempre tive a sensação de algo estava faltando. Precisava preencher esse vazio. Os Estados Unidos nunca foi o lugar dos meus sonhos e continua não sendo. Decidi ser Au pair porque estava cansada de tanto emprego ruim que aparecia e da rotina diária que tanto me autodestruia. A mudança era NECESSÁRIA, e também a palavra "fluência" vivia martelando a minha mente...

... Pesquisei agências... a primeira foi a Experimento, mas achei extremamente cara. As Au Pairs devem pagar metade da passagem de ida e volta. Querendo ou não, são MIL Reais a mais e dinheiro era algo que não fazia parte da minha vida naquele momento. Cultural Care passou pela minha cabeça, mas toda vez que combinava de ir em uma das filiais, ficava sabendo que havia fechado. Um tanto estranho, não??? Enfim, fechei com a STB, que significa fechar com a Au Pair Care, já que STB não existe aqui. Se recomendo? Sim! Foi tudo tranquilo, e devo dizer que Au pair boa é aquele que pesquisa em tudo quanto é site e comunidades de orkut, porque a agência NÃO sana todas as suas dúvidas....

...Enfim, gastei MUITA grana, estressei, pensei em desistir, emagreci, estudei...O processo é intenso. Depois de ter o application on line, demorei apenas 3 dias para fechar com a família. O match mais rápido que eu já vi! rs. Resumindo porque essa parte é super chata: Dois meses para decidir se ia mesmo, fazer o application, tirar documentos e fazer as malas...

...Pois é, vim! Deixei um pedaço enorme de mim para trás. Família, amigos, amor, cachorro, papagaio! Minha vidinha, o meu mundo onde o pijama e combinações de roupas bizarras eram bem-vindas. Ah, como é bom andar com "aquela" calça velha e passar o dia inteiro com ela...Aqui não tem essa não! Ai, o conforto de viver ao lado de pessoas que amamos, dar uns berros em casa, não pentear o cabelo, deitar no sofá e assistir tv são coisas que mais sinto falta...BUUUT...

... Ao ir para o aeroporto, pensei mil vezes que poderia nunca mais ver aquelas pessoas na minha vida, pisar na minha casa, dormir na minha cama com a tv ligada... É muito difícil aguentar a dor da despedia, mas era preciso! Não tinha outra escolha! No aeroporto, havia várias meninas que assim como eu, estão em busca de um sonho. Algumas focadas, outras apenas querendo respirar o mesmo ar que a Sarah Jéssica Parker (É assim que escreve???). Citei a atriz porque a encontramos na Time Square... e algumas quase morreram de tanta EMOÇAUM NO CORAÇAUM. Meninas que "tipo, escrevem axim mexmu" (nojinho).

...Quantas pessoas maravilhosas conheci. Dividi o quarto com uma alemã super doida e humilde e com uma coreana que estava simplesmente buscando sua liberdade, viver em um país onde a mulher não é apenas a sombra de um homem... Todas mulheres, propósitos e objetivos totalmente diferentes.

Os quatro dias de treinamento foram únicos. Conhecer gente, esquecer um pouco a língua materna, passear em New York City. Devo confessar que aquele lugar é mágico! Gente do mundo inteiro, lugares que só vi em filmes: New York Times, Central Park, Time Square, Nasdaq, Estátua da Liberdade, Memorial das torres gêmeas. Ah, é claro que não poderia faltar a camiseta "I love New York" (paga pau é f...). De fato, amei!

Os momentos de êxtase estavam passando. Iria deixar as brasileiras, que naquele momento eram minha família. Estava só, totalmente no escuro, com medo... parecia uma criança que acorda ao meio da noite, buscando proteção na cama da mãe e do pai. Só que, não tinha cama, não tinha pais... deveria esperar a claridade do sol dar forma aos objetos no quarto.

O encontro foi estranho, afinal, vou passar 1 ano vendo essas pessoas, dividindo teto e abaixando a cabeça (engolir sapo, faz parte). Eles são ótimos, fazem de tudo para eu me sentir bem, mas a dor de acordar e perceber que não estou em casa é indescritível. Aqui, sou querendo ou não, a empregadinha. (Esse papo de fazer parte da família, não cola).

O quarto tornou-se me refúgio. Aqui choro todo dia e busco forças para não cair. Encontrei brasileiras maravilhosas, que estão me motivando a conhecer as coisas. Esse é meu povo!!! Ah, como calor humano faz falta...

Nesses primeiros dias, pude perceber o quanto sou forte, apesar de fraquejar ás vezes. Cuido das crianças muito bem e sinto-me podre ao final do dia. Tão podre que as lágrimas secaram...sem forças pra nada...

...Bom, sigo caminhando, meus sentimentos são como uma gangorra. Ora estou feliz, ora sinto-me como o pior ser do universo...

AAAAIII, eu quero uma barra enorme de chocolate, quero a comida da minha mãe, as noites de gordura trans com meus amigos-irmãos!!! Aqui é uma enorme neurose com alimentação. Nunca imaginei que havia americanos assim. Pois é, vivendo e aprendendo que na América, não há só fast food.

E assim segue minha saga.... dez dias longe de casa...


Ama a vida e SEGUE.