O Porquê...
( Confissões dos dez primeiros dias...estou aqui há 30 dias, porém somente agora resolvi postar...)
Sempre tive uma louca vontade de sair pelo mundo e encontrar a paz que eu tanto almejo. Não que eu não tenha paz, mas sempre tive a sensação de algo estava faltando. Precisava preencher esse vazio. Os Estados Unidos nunca foi o lugar dos meus sonhos e continua não sendo. Decidi ser Au pair porque estava cansada de tanto emprego ruim que aparecia e da rotina diária que tanto me autodestruia. A mudança era NECESSÁRIA, e também a palavra "fluência" vivia martelando a minha mente...
... Pesquisei agências... a primeira foi a Experimento, mas achei extremamente cara. As Au Pairs devem pagar metade da passagem de ida e volta. Querendo ou não, são MIL Reais a mais e dinheiro era algo que não fazia parte da minha vida naquele momento. Cultural Care passou pela minha cabeça, mas toda vez que combinava de ir em uma das filiais, ficava sabendo que havia fechado. Um tanto estranho, não??? Enfim, fechei com a STB, que significa fechar com a Au Pair Care, já que STB não existe aqui. Se recomendo? Sim! Foi tudo tranquilo, e devo dizer que Au pair boa é aquele que pesquisa em tudo quanto é site e comunidades de orkut, porque a agência NÃO sana todas as suas dúvidas....
...Enfim, gastei MUITA grana, estressei, pensei em desistir, emagreci, estudei...O processo é intenso. Depois de ter o application on line, demorei apenas 3 dias para fechar com a família. O match mais rápido que eu já vi! rs. Resumindo porque essa parte é super chata: Dois meses para decidir se ia mesmo, fazer o application, tirar documentos e fazer as malas...
...Pois é, vim! Deixei um pedaço enorme de mim para trás. Família, amigos, amor, cachorro, papagaio! Minha vidinha, o meu mundo onde o pijama e combinações de roupas bizarras eram bem-vindas. Ah, como é bom andar com "aquela" calça velha e passar o dia inteiro com ela...Aqui não tem essa não! Ai, o conforto de viver ao lado de pessoas que amamos, dar uns berros em casa, não pentear o cabelo, deitar no sofá e assistir tv são coisas que mais sinto falta...BUUUT...
... Ao ir para o aeroporto, pensei mil vezes que poderia nunca mais ver aquelas pessoas na minha vida, pisar na minha casa, dormir na minha cama com a tv ligada... É muito difícil aguentar a dor da despedia, mas era preciso! Não tinha outra escolha! No aeroporto, havia várias meninas que assim como eu, estão em busca de um sonho. Algumas focadas, outras apenas querendo respirar o mesmo ar que a Sarah Jéssica Parker (É assim que escreve???). Citei a atriz porque a encontramos na Time Square... e algumas quase morreram de tanta EMOÇAUM NO CORAÇAUM. Meninas que "tipo, escrevem axim mexmu" (nojinho).
...Quantas pessoas maravilhosas conheci. Dividi o quarto com uma alemã super doida e humilde e com uma coreana que estava simplesmente buscando sua liberdade, viver em um país onde a mulher não é apenas a sombra de um homem... Todas mulheres, propósitos e objetivos totalmente diferentes.
Os quatro dias de treinamento foram únicos. Conhecer gente, esquecer um pouco a língua materna, passear em New York City. Devo confessar que aquele lugar é mágico! Gente do mundo inteiro, lugares que só vi em filmes: New York Times, Central Park, Time Square, Nasdaq, Estátua da Liberdade, Memorial das torres gêmeas. Ah, é claro que não poderia faltar a camiseta "I love New York" (paga pau é f...). De fato, amei!
Os momentos de êxtase estavam passando. Iria deixar as brasileiras, que naquele momento eram minha família. Estava só, totalmente no escuro, com medo... parecia uma criança que acorda ao meio da noite, buscando proteção na cama da mãe e do pai. Só que, não tinha cama, não tinha pais... deveria esperar a claridade do sol dar forma aos objetos no quarto.
O encontro foi estranho, afinal, vou passar 1 ano vendo essas pessoas, dividindo teto e abaixando a cabeça (engolir sapo, faz parte). Eles são ótimos, fazem de tudo para eu me sentir bem, mas a dor de acordar e perceber que não estou em casa é indescritível. Aqui, sou querendo ou não, a empregadinha. (Esse papo de fazer parte da família, não cola).
O quarto tornou-se me refúgio. Aqui choro todo dia e busco forças para não cair. Encontrei brasileiras maravilhosas, que estão me motivando a conhecer as coisas. Esse é meu povo!!! Ah, como calor humano faz falta...
Nesses primeiros dias, pude perceber o quanto sou forte, apesar de fraquejar ás vezes. Cuido das crianças muito bem e sinto-me podre ao final do dia. Tão podre que as lágrimas secaram...sem forças pra nada...
...Bom, sigo caminhando, meus sentimentos são como uma gangorra. Ora estou feliz, ora sinto-me como o pior ser do universo...
AAAAIII, eu quero uma barra enorme de chocolate, quero a comida da minha mãe, as noites de gordura trans com meus amigos-irmãos!!! Aqui é uma enorme neurose com alimentação. Nunca imaginei que havia americanos assim. Pois é, vivendo e aprendendo que na América, não há só fast food.
E assim segue minha saga.... dez dias longe de casa...
Ama a vida e SEGUE.

Vou ser a 1ª a postar um cometario aqui...
ResponderExcluirAdorei....algumas partes (a maioria) eh o que eu sinto....so tirando a parte que encontrei Brasileiras aqui....=(
Como eu sou brega e antiga...vou fazer um diario....rsrs....(e adolescente)..quem sabe um dia vira livro....kkkk.....se eu tivesse um blog...so ia ter ops micos que eu to pagando nesse pais ...kkk....bjokasss
Poooxaa... Adoreii isso aquii!! Ama a vida e SEGUE porque logo você estará na sua terra, com mil histórias pra contar! =] Beeijoooo! e atualizee! haha
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